Praxe é igual a morte

Caro senhor Carlos Anjos, gostava que não me apelidasse de homicida. Escrever para o Correio da Manhã com um título a incitar a violência e a espalhar o pânico pelos pais dos jovens que andam na escola, pare lá com isso. Todos sabemos que cada um sabe o que faz, ou pelo menos deviam saber. Não generalize. O governo anda a chacinar pessoas a cortar pensões e reduzir salários e ainda goza com a nossa cara ao sortear carros de alta cilindrada quando há pessoas em Portugal que se suicidam para não causar mais transtornos aos filhos, ou mesmo porque não conseguem ter condições para viver. Como é que você se atreve a dizer que a culpa é da praxe quando toda a gente sabe que o muro estava podre e em más condições? No máximo a culpa é da proprietária que não pratica a manutenção das suas possessões. Portanto faça um favor a si e a toda a gente: resigne-se a escrever sobre aquilo que sabe e conhece, em vez de estar a dizer que a culpa dos rapazes terem morrido de ter sido da praxe.

Eu fui praxada e sou veterana. É um orgulho usar o traje pois "sofremos" muito para o poder usar. Nada nesta vida é de borla. Mas não tenham medo da praxe, ela realmente serve para integrar os alunos na faculdade e conhecem imensa gente, gente esta que pode ficar vossa amiga para o resto da vida. Não é por levar com farinha, ovos, ketchup, maionese e peixe podre na cabeça, assim como fazer flexões e rebolar no chão que vou morrer. Se acham que estão a abusar de vocês ou que vocês já não aguentam mais a praxe é só falar directamente com o veterano e se este não vos compreender dirijam-se aos máximos e façam-nos compreender a vossa situação. Aqui ninguém é obrigado a nada, porém, há sempre otários a cometerem excessos: como beber até cair para o lado e fazer alguma coisa de mal, como conduzir. Mas isto para ter graça têm que "obedecer ás regras" porque fazer batota é só má onda, do tipo "-mas quem pensas que és?". Lembrem-se: só são caloiros uma vez na vida, e acreditem, quando forem veteranos, vão ter saudades. 
Não liguem aos que andam por aí a escrever ou a dizer, é só people pipi com medo do nada e á procura de atenção. Vão ás praxes e comprovem por vocês próprios. 

Gostava de colocar a questão a quem lê este blog: algum de vocês já teve/testemunhou uma praxe que achassem que tenha sido abusiva? Como foi e porque acham que o tenha sido?


2 comentários:

Chrizz disse...

opah eu nem comento essas cenas sobre a praxe... começo a ficar um bocado farta de pessoas a escreverem sobre coisas que nao sabem e so porque veem algo tumbas, acusam. Alem disso isso do muro ja se sabe que nao teve nada a ver com a praxe e podia acontecer a qualquer um portanto.

e eu tambem fui praxada, nao morri, nao fui ofendida nem fiz coisas menos proprias ou violentas. tal como tu sou um testemunho que a praxe nao é morte e nao é isso que agora andam para ai a dizer, portanto coco para essas pessoas.
e podes crer, sinto saudades dos meus tempos de caloira! Mas so se vive uma vez e sei dar valor aquilo que fui passando ate aqui. Ate este tempo agora que tou a viver nao se volta a repetir, portanto.

cenas!

Andrea Brito disse...

Bem, na minha faculdade quase não há praxes e como só comecei a frequentar as aulas após duas semanas, as praxes já tinham acabado. Mas usei traje na mesma e na minha faculdade (ISCSP) acho que ninguém foi proibido de trajar por não ser praxado. Na verdade fui altamente praxada noutro sítio anteriormente e em circunstâncias diferentes e de que me orgulho.
Querida, quanto á tua dúvida em relação aos óculos, apesar de não ser especialista nessa matéria, acho que deves apostar em óculos contrários ao formato do teu rosto para tentar suavizar os traços. Aposta nos arredondados. Também tenho esse problema de os óculos das lojas me ficarem todos grandes mas procurando em óticas, encontramos óculos mais pequenos. Espero ter ajudado :)