Coisas do dia-a-dia do B ao E

  • Estava eu no terminal a fazer tempo para apanhar o barco para Lisboa quando passou um senhor por mim e deixou cair 15 euros (10€+5€). Todos aqueles pensamentos me invadiram: dar ou não dar? Ficar com eles? O que é que eu iria comprar com eles? Não dá para ir a outro país da Europa com eles por isso...  Apanhei-os e devolvi ao senhor pelo qual chamei imensas vezes e não me ouviu, o que foi uma tortura porque todos os pensamentos me assaltaram todos os segundos. Eu sou uma boa alma. Pelo menos até há uns anos atrás... Recentemente ando com pensamentos muito negativos e já não sou como era antes. Espero voltar a ter a minha santa inocência (lol).
  • Apanhei o comboio para Cascais e preparei-me para uma viagem de 20 minutos. Ao fim de 15 minutos todos estavam já cansados de estarem ali sentados e muita gente adormeceu. O fiscal passou mais tarde e apanhou gente a dormir... Nem os acordou. Ás vezes vemos estas pessoas que sentem empatia por outras e compreendem situações sem dizer nada. O fiscal olhou duas vezes para se certificar que a pessoas estava mesmo a dormir e quando chegou à sua beira espreitou , deu meia volta e pediu o passe à pessoa de trás. Dei por mim a sorrir como que a agradecer por parte da outra pessoa e senti-me uma pessoa pura.
  • Num dia de muita chuva estava eu noutra paragem de autocarro já molhada de estar só à espera do autocarro na paragem quando apanhei uma conversa a meio de uma senhora que falava cuidadosamente com outra. Com os meus olhos desfocados nas palmeiras do jardim ouvi a senhora dizer que também já tinha tido um acidente de carro pois o seu carro deslizou na água na autoestrada batendo na separação central, dando várias voltas. A senhora recuperou a consciência ao ouvir gritos de algumas pessoas que pararam para a acudir. Saiu do carro apática sem perceber o que acabou de acontecer ao mesmo tempo que as pessoas chamavam a ambulância. Alguém depois gritou que havia um bébé no carro. Por esta altura já eu me arrependia de ter ouvido a conversa pois me vieram as lágrimas aos olhos. Sabemos lá nós a dor ou o trauma das crianças que têm acidentes de carro... A senhora referiu várias vezes que não conseguia processar bem a informação e não sabia porque estava ali um bébé pois nem se apercebeu que era mãe. Neste dia que vi a senhora, a mesma ia tratar do assunto do carro pois ficou todo destruído mas com toda a calma agradeceu a Deus por o bébé dela ter sobrevivido. 
  • Mais recentemente ia eu num autocarro cujo motorista conduzia melhor do que muita gente que anda por aqui, quando o senhor abriu as portas e uma senhora saiu, tropeçando no passeio e caindo redondamente no chão. Uma senhora que saiu à frente dela ajudou-a a levantar-se, fiquei agradecida pois se algum de nós saísse do autocarro o motorista fechava as portas e deixava-nos ali sem sequer ter consciência pesada. É egoísmo não querer sair do bus para ajudar outra pessoa pois não queremos chegar tarde? E se a outra senhora não tivesse saído à sua frente? A senhora ficava ali?
  • No mesmo autocarro vi um casal de idosos de óculos de sol Rayban, pretos, exactamente iguais. Super queridos deram as mãos um ao outro para saírem do autocarro.
  • Também no mesmo autocarro, assim que o casal saiu, entrou um senhor de muletas que em vez de se sentar veio para a porta de trás onde ficou em pé segurando-se ao poste. O autocarro arrancou e quase me levantei para ir agarrar o senhor pois as mãos esquivaram-lhe do sítio e ia acontecer uma grande desgraça. Ainda bem que o autocarro voltou a travar logo a seguir o senhor conseguiu-se agarrar outra vez porque fiquei bastante preocupada... Mas porque é que estas pessoas não se sentam? Porque que há motoristas que são uns brutos a conduzir? Fazem-me preocupar bastante e uma pessoa nunca tem uma viagem sossegada.
Fim.

1 comentário:

Andrea Brito disse...

Que observadora sim senhor! Também me deparei algumas vezes com situações caricatas nos bus de Lisboa.

http://finddyourway.blogspot.pt/